As parcerias: um mal, ou um bem?

Enviada em 30/7/2007

Seria ótimo! Sensacional, até, tivesse o CRB condições de remunerar um plantel cujos salários desestimulassem o interesse de empresários ou outros clubes, daqui ou de fora do país. Média de trinta, quarenta mil reais... Por aí. Folha de pagamento razoável, né não? E honrada religiosamente em dia, claro. Sem contar, é certo também, uma situação financeira tranqüila em relação a dívidas deixadas por algumas administrações passadas. Dívidas trabalhistas — em sua quase totalidade majoradas artificialmente, por falta de defesa oportuna em juízo, outras criadas inexplicavelmente —, além daquelas, de natureza diversa, que, dizem, já estariam pagas há muito. Como seria bom não tê-las!

Mas a realidade do CRB é outra. Justamente a oposta. Ao menos é o que ouço ser dito, afirmado e reafirmado. Sem contestação. Portanto, não tenho porque desacreditar.

Ora, nessas circunstâncias, tem-se que as parcerias tornaram possível, por exemplo, construir-se um plantel formado por bons e razoáveis jogadores, a baixo custo, e ainda receber um troco na hipótese de um deles vir a ser negociado. Segundo Alexandre Farias, do Atlético-MG, o percentual em favor do CRB varia de 20 a 33%**. Não me parece ruim. O treinador? Para mim, o melhor fruto das parcerias. Queira Deus — que soube, por fonte segura, é alvirrubro, enjoado que ficou da cor do céu — o Galo obtenha os resultados de que precisamos, para possa aqui permanecer por muito tempo.

Por outra, como estaríamos sem elas? Qual seria o nosso plantel? Nos moldes daquele, formado com sacrifícios (aqui novamente repito o que sempre se afirmou, sem questionamentos) para o Campeonato Alagoano 2006? E fosse, ao revés, caro, qual seria o resultado ao fim do Brasileiro, no tocante às dívidas?

Também não vejo sejam as parcerias a causa de ter o CRB perdido jogadores para outros clubes. Estamos no final do 1° turno e, salvo engano, foram 4 atletas, então titulares à época, que deixaram o Galo: Luciano Amaral, Maílson, Wanderson e Marcinho. Desses, apenas os dois últimos foram fruto da parceria com o Galo mineiro. O primeiro, Luciano Amaral, era contratado do CRB, ortodoxamente. E o segundo, a chamada prata da casa. O problema, assim, parece-me ser mais de baixo salário e incapacidade econômica e financeira de disputá-los no mercado futebolístico do que de serem, ou não, do Atlético ou do Democrata mineiros.

Para concluir, vou aos resultados, à campanha. Está mal? Tem feito vergonha? Seus jogadores estão desinteressados, sem garra, ou coisa que o valha? Os resultados têm sido insatisfatórios? Saldo de gols, número de vitórias e derrotas estão aquém das expectativas mais realistas? Há otimismo quanto a progredirmos e alcançarmos a Série A? Parece-me, pois, que em geral há mais prós do que contras.

Assim, vou continuar torcendo para que dêem certo as parcerias. Torcendo também, claro, para que alienígenas não cobicem os nossos destaques. Tomara que dê! Tomara que dê tão certo que breve não precisemos mais delas como quase única alternativa disponível. O CRB merece. Seus torcedores também.




Autor: André Falcão de Melo
E-mail: afalcaomelo@gmail.com

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